
Biografia, 2026 | Direção: Antoine Fuqua | Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 2h08 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪
Michael Jackson foi o maior artista de todos os tempos na opinião de muitas pessoas. É praticamente uma unanimidade: não há quem nunca tenha ao menos ouvido falar do cantor ou uma de suas potentes músicas. Por isso, era de se esperar que uma cinebiografia de sua vida fosse à altura do legado deixado após sua precoce morte em 2009, aos 50 anos.
“Michael”, filme dirigido por Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”) em cartaz nos cinemas, até se esforça em entregar algo compatível com o fenômeno musical, mas não consegue. Está longe de ser ruim, mas o biografado era tão majestoso que o longa-metragem não faz jus. Mesmo assim, consegue divertir e emocionar em vários momentos, entregando boas performances.
A obra traz um recorte da vida do cantor, acompanhando o início de sua carreira, quando ainda ele faz parte do grupo The Jackson 5 ao lado dos irmãos, até partir para a carreira solo, quando ele explode com músicas como “Thriller”, “Don’t Stop ‘Til You Get Enough” e “Billie Jean”, entre outras. O relacionamento conturbado e abusivo com o pai, Joe (Colman Domingo), e os conflitos consigo mesmo também são explorados no filme, que deverá ganhar uma continuação.
Jaafar Jackson, sobrinho de Michael na vida real, dá vida ao tio na produção – e consegue isso com qualidade. Além de se parecer fisicamente, sua presença impressiona especialmente nos números de dança. Mas quem rouba a cena mesmo é Colman Domingo, que entrega uma atuação que pode beirar o caricato em alguns momentos, mas retrata muito bem a figura controversa que foi Joe Jackson.
Apesar desses pontos positivos, “Michael” sofre dos mesmos problemas de outra cinebiografia musical de alcance mundial, que foi “Bohemian Rhapsody” (produzida por Graham King também, por sinal). Aliás, fica bem claro que a mão do produtor pesou mais do que a do competente diretor. O roteiro também é problemático e não explora conflitos importantes, o que pode soar como uma obra “chapa branca” em muitos momentos. Falta profundidade e coragem de colocar o dedo em algumas feridas, desmistificando quem foi o artista.
Além disso, o filme acaba sendo apenas um emulador de shows e apresentações icônicas de Michael Jackson, nada mais do que isso. E se for para vê-lo dando moonwalk, basta procurar no YouTube vídeos do original. No geral, “Michael” é um entretenimento divertido, bem produzido e com inegável qualidade técnica, mas sem o encantamento que fez o cantor se tornar o Rei do Pop.
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