
Documentário, 2025 | Direção: Carine Wallauer | Classificação indicativa: 12 anos | Duração: 1h38 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪✪
Alguns edifícios são mais do que construções habitáveis; são parte da história e da paisagem de uma cidade. O Edifício Copan, um dos símbolos da arquitetura moderna brasileira, concebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer, é um desses prédios que não se resumem a vigas, concreto e janelas. A diretora Carine Wallauer, que morou por lá durante sete anos, percebeu isso e decidiu registrar, em um documentário, o cotidiano de uma das mais emblemáticas edificações da capital paulista.
Em “Copan”, o espectador é transportado para o dia a dia do edifício às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Por meio dos moradores e funcionários daquele enorme prédio, onde residem cerca de 5 mil pessoas (quantidade superior à população da cidade paulista de Gavião Peixoto, por exemplo), acompanhamos a polarização que ditou os rumos daquele pleito.
Paralelamente às eleições nacionais, o próprio Copan passava por um momento eleitoral, já que seus moradores decidiam, por meio de uma contestada assembleia, o novo síndico do prédio. Porém, havia apenas um candidato: o mesmo síndico estava no poder há mais de 30 anos. Mas não espere um desenvolvimento como o do podcast “O Síndico”, de Chico Felitti; aqui, a diretora preferiu adotar uma postura mais distante da história, quase contemplativa. Por isso, o filme avança pouco pelos bastidores da política do Copan.
Em muitos momentos, a câmera coloca o espectador na condição de voyeur, que apenas observa o dia a dia daquela civilização vertical: a faxineira tentando descobrir se a mancha em um lençol é de vinho ou de batom, a criadora de conteúdo adulto gravando vídeos sensuais, os porteiros conversando sobre as eleições para síndico, o violinista tocando… Tudo isso tendo o Copan como personagem central.
Sim, porque, mais do que cenário, o prédio ganha a importância de protagonista no documentário. Em uma determinada cena, a câmera acompanha uma pessoa subindo por uma imensa escada em caracol, o que me fez imaginar o edifício, de 115 metros de altura, como um gigante colossal, habitado por pequenas criaturas em suas entranhas. A trilha sonora, comandada pelo DJ KL Jay, fundador dos Racionais MC’s, embala o filme, que ganha um ar quase noir.
Mais do que um simples documento em imagens sobre um prédio, “Copan” é o registro de uma sociedade dentro de outra, com suas marcas únicas. Vale a pena conferir.
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