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Mestre em Relações Internacionais comenta sobre situação política na Venezuela

Denise destaca o papel de mediação que pode ser feito pelo Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

A ação militar dos Estados Unidos liderada pelo presidente Donald Trump, que culminou na retirada de Nicolás Maduro da presidência da Venezuela, segue repercutindo. Nesta semana, o Periscópio conversou com a ituana Denise Lícia Boni de Oliveira Gasparini, mestre em Relações Internacionais, que comentou sobre a atual situação da Venezuela e como as ações no país podem afetar o Brasil.

“Não é uma ação inédita [dos Estados Unidos], porque o George H. W. Bush já havia tomado essa ação de entrar num país e prender o chefe de estado [Manuel Noriega], no Panamá [em dezembro de 1989] e fez exatamente a mesma coisa. Não é uma novidade. O Noriega foi julgado pela corte americana como traficante de drogas, como eles querem fazer com o Maduro”, explica Denise.

Para a especialista, o Brasil está numa situação delicada, porque para a América Latina o país é naturalmente um mediador, então caberia a ele fazer a negociação, uma promoção de interesses da região e também de interesse latino-americano e brasileiro. “E quando acontece esse ataque, isso enfraquece a posição do Brasil de mediador.”

Denise explica ainda que para o Brasil a questão também é perigosa, por fazer fronteira com a Venezuela. “Temos a percepção de que caso tenha um vazio de poder deixado pela queda do Maduro, possa gerar um conflito interno e isso gerar um deslocamento de pessoas e esse deslocamento de pessoas potencialmente vai levar essas pessoas pro Brasil então a gente vai ter que lidar com uma crise humanitária.”

Além disso, a ituana aponta uma instabilidade regional que pode ser acarretada, pois “se a gente não sabe o que vai acontecer na região e nesse caso não sabe mesmo, os investimentos ficam prejudicados. Que empresa vai querer investir numa região que não sabe se vai conseguir manter a própria segurança de produção?”, questiona.

Para Denise, cabe agora ao Brasil o papel de mediar uma transição mais suave, evitando, por exemplo, um conflito de vazio de poder. “Hoje está lá a Delcy Rodriguez, vice do Maduro, mas será que dentro da população não tem alguém que fale ‘por que ela e não eu?’ Alguma liderança? A própria Maria Corina Machado [opositora ao governo Maduro], será que os grupos que apoiam ela não podem fazer um conflito armado? Para evitar isso, o Brasil entrar como mediador é uma questão interna.”

No entanto, a mestre em Relações Internacionais destaca que existem limites a serem respeitados, pois o Brasil não pode entrar na Venezuela e mandar no país. “É necessário respeitar a soberania nacional da Venezuela. A própria decisão do povo venezuelano em fazer as suas próprias escolhas”, encerra.

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