
Um impasse entre o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região e o Consórcio Mobility Transportes, novo responsável pelo transporte especial na cidade, tem afetado os usuários do serviço.
Segundo o sindicato, a empresa venceu a licitação realizada pela Prefeitura de Sorocaba para atuar na cidade. Contudo, não quer contratar os trabalhadores que operavam no Consórcio Sorocaba (Consor) e no Sorocaba Transportes Urbanos Ltda (STU), antigos prestadores do serviço. Além disso, a empresa não pagaria o mesmo salário e direitos oferecidos anteriormente, conforme determina o acordo coletivo de trabalho da categoria diante de troca de empresas. Dessa forma, o acordo firmado Urbes – Trânsito e Transportes e com a Prefeitura não estaria sendo cumprido. Por esse motivo, 80 funcionários, entre motoristas e agentes de bordo, estariam desempregados, afirma a entidade, em nota.
Na manhã desta terça-feira (4), profissionais da categoria realizaram um protesto em frente ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), no bairro Alto da Boa Vista. Ainda conforme o sindicato, eles reivindicam que sejam admitidos pela nova empresa, bem como o recebimento dos salários e outros direitos trabalhistas referentes ao período desde o dia 1º de agosto, quando a Mobility iniciou as atividades.
A Mobility Transportes, por sua vez, informa que segue o acordo firmado com a Urbes e com a Prefeitura. Diz, ainda, que as regras contratuais foram definidas pela empresa pública, inclusive no tocante à remuneração, lhe cabendo apenas cumpri-las.
De acordo com o consórcio, a empresa e seus funcionários vêm “sofrendo todo tipo de obstrução, insinuações e ameaças (por parte do sindicato), no sentido de interromper ou paralisar o atendimento (aos usuários do transporte).” As ações intimidativas vêm ocorrendo desde quando iniciou os trabalhos, no último sábado (1), afirma. Na ocasião, representantes da entidade teriam tentado obstruir a saída dos veículos de uma das garagens e intimidar os funcionários, por cerca de duas horas. A Polícia Militar teria sido acionada e um boletim de ocorrência teria sido registrado. Posteriormente, novas investidas teriam sido realizadas. “No sábado, domingo e segunda (01,02 e 03 de agosto), conseguimos realizar todos os atendimentos, porém, hoje, terça-feira (04 de agosto 2020), nossos motoristas foram obstruídos e, sob ameaça, impedidos de sair”, informa, em nota. Há imagens e vídeos comprobatórios desses relatos, complementa a empresa, destacando ter registrado novo boletim de ocorrência, nesta manhã.
O consórcio pede o apoio da Urbes, da Prefeitura e de todas as autoridades, para resolver a situação e conseguir prestar o serviço para o qual foi contratado. Nesta terça, será realizada uma audiência de conciliação, convocada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15ª), para tentar resolver o problema trabalhista, diz o sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região. A entidade “informa já ter comunicado à Urbes que não irá se opor caso as empresas Consor e STU sejam designadas a operar o transporte especial até que o problema trabalhista com a Mobility seja resolvido. Dessa forma, os usuários continuariam a ser atendidos.” O Cruzeiro do Sul questionou a Urbes e aguarda resposta.
Usuários são prejudicados
Após mais de um ano aguardando para iniciar as sessões de hidroterapia, Maria Lívia Ferreira de Carvalho, de 24 anos, começaria, finalmente, o tratamento em uma clínica de Sorocaba, nesta terça-feira. No entanto, devido a esse impasse, não foi possível. Ela tem paralisia cerebral e é cadeirante. Os exercícios na água são essenciais para a melhora do quadro da filha, conta a professora Flávia Alessandra Ferreira, 46 anos, mãe de Maria. “Ela estava ansiosa para ir, mas, de repente, no primeiro dia, eu recebo a notícia de que o transporte não estaria funcionado devido à imposição do sindicato”, lamenta.
Flávia é fundadora da instituição social Anjos sobre Rodas, atuante na garantia dos direitos e da inclusão dos cadeirantes. Muitas das crianças atendidas pelo projeto, conta,tinham também consultas médicas e, não puderam comparecer, por conta da falta de condução.

Outra usuária do transporte especial, que preferiu não ser identificada, igualmente passaria por atendimento. Mas, sem o ônibus, não teve como chegar ao local e precisou adiar o compromisso. Segundo ela, a ausência do serviço pode prejudicar a saúde de quem depende dele, pois muitos passageiros não possuem outra forma de ir aos hospitais e clínicas. “Uma criança (por exemplo) pode ter um surto e sofrer danos irreversíveis”, alerta. (Vinicius Camargo)
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O post “Sorocaba: impasse entre sindicato e nova empresa de transporte especial afeta usuários” foi publicado em August 4, 2020 e pode ser visto originalmente diretamente na fonte Jornal Cruzeiro do Sul

