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Guerra do streaming: jornalista analisa mercado e impacto em outras mídias

Daniel Cury é cofundador de site sobre cinema (Foto: Divulgação)

Netflix, Prime Video, Globoplay, Disney+, Apple TV, HBO Max… São cada vez mais serviços de streaming de vídeo disponíveis no mercado brasileiro, impactando diretamente o modo de consumo de entretenimento. Há uma verdadeira “guerra” entre essas plataformas, que buscam atrair mais e mais assinantes.

Que o streaming chegou para ficar, isso não resta dúvida. Mas esses serviços podem mudar de vez a forma de se assistir TV como estamos acostumados? Ou mesmo vai acabar com o cinema? Para responder a essas e outras perguntas, a reportagem entrevistou o redator e jornalista Daniel Cury, 34 anos, cofundador do site Cinem(ação) e co-host do podcast do portal desde 2012.

Na semana em que a Netflix anunciou reajuste nos preços de seus pacotes, deixando os usuários revoltados, e com a chegada iminente de mais uma plataforma (o Star+, da Disney), confira o que ele tem a falar sobre a proliferação desses serviços de streaming no Brasil:

O que você acha dessa quantidade cada vez maior de serviços de streaming no mercado? Acha que dá pra todos coexistirem?

Não vejo problema na existência de muitos serviços de streaming. Acredito que aos poucos cada um deles vai encontrando o seu perfil de público, e as pessoas vão escolhendo seus preferidos. Infelizmente o que nós estamos vendo é uma invasão de serviços de streaming sem qualquer regulamentação, e isso sim é um problema. Se você prestar atenção, vai ver que a Netflix tem inúmeras produções alemãs, espanholas e coreanas, e não é por acaso: são os países que regulamentaram o streaming e fizeram exigências para que a empresa invista no audiovisual do país, e isso traz vários benefícios. É só a gente se lembrar de como foi quando passaram a exigir produções brasileiras nos canais da TV paga, em pouco tempo o ritmo de produção de filmes e séries no Brasil aumentou muito e reverteu em melhora na economia. Então, se o país tiver regras específicas para o streaming, com certeza a grande quantidade de plataformas vai ser ainda melhor.

Você acredita que o streaming vai acabar com a maneira tradicional de se assistir TV?

Não vai acabar, mas vai diminuir. O que acontece sempre que surge uma nova tecnologia é que os hábitos de adaptam, mas dificilmente as mídias anteriores desaparecem. O rádio ainda existe, o jornal impresso ainda existe, até disco de vinil continua tendo mercado. Com certeza a audiência das TVs vai cair, mas acredito que elas ainda vão existir, porque muita gente vai continuar assistindo. Um bom exemplo é pensar: onde você vai ver os Jogos Olímpicos deste ano? Com certeza não será na Netflix.

Como você analisa o impacto dos serviços de streaming nos cinemas? Acredita que no futuro as salas de projeção deixarão de existir?

Também creio que não deixarão de existir, mas acho que pode ocorrer uma redução no número de salas. Acho que os cinemas de shopping vão ficar cada vez mais dependentes dos blockbusters e “filmes-eventos”, que no momento são os filmes de super-heróis. Mas também acho que pode ocorrer um aumento no nicho de espaços culturais e cineclubes, porque a experiência coletiva da sala de cinema é impossível de se conseguir em outros lugares.

Hoje quais serviços de streaming você assina? Qual, na sua visão, tem o melhor custo/benefício e qual tem o melhor acervo (no geral e para seu gosto)?

No momento, estou com Netflix, Mubi, Amazon Prime Video, Telecine e Globoplay. Divido a assinatura da Globoplay, um amigo me passou o acesso à Disney Plus, e o Telecine está incluso pela assinatura da TV paga da família. De todos eles, no momento o melhor custo-benefício é da Amazon Prime Video, que é mais barato e tem muitas opções: o problema é que a plataforma é ruim e tem que saber “caçar” filmes e séries. Mas o melhor acervo creio que é do Telecine, que tem ótimos clássicos.

Se você pudesse recomendar apenas uma série ou filme que esteja nos serviços de streaming para alguém, qual seria sua indicação?

Vou indicar a série documental “O Caso Evandro”, na Globoplay, que é pesada mas vale a pena.

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