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Espaço Acadil | A mentora 

No Brasil colonial, a figura feminina era submetida à ordem patriarcal e devia apenas aprender a ser uma boa esposa. No entanto, devemos lembrar que no período bandeirista as vilas paulistas eram habitadas quase exclusivamente por mulheres, crianças e idosos. Assim, mesmo analfabetas, as mulheres da época tiveram um grande e fundamental papel econômico.

Dia 2 de fevereiro de 1610 nos remete à mentora da fundação de Itu, Suzana Dias, a pioneira essencial na história de São Paulo. 

Suzana Dias, neta do cacique Tibiriçá, filha de Beatriz e do português Lopo Dias, nasceu em 1553, foi criada na fé católica e teve o Padre Anchieta como confessor por um tempo. Aos 15 anos, casou-se com Manoel Fernandes Ramos, que se tornou Governador de São Paulo, e juntos tiveram 17 filhos, dentre os quais André, Baltazar e Domingos (Fernandes) que fundaram Santana de Parnaíba, Sorocaba e Itu, respectivamente. Após a morte do marido, Suzana herdou uma propriedade na margem do Tietê, pertencente à Capitania de São Vicente, graças a ter filhos homens, como exigia a lei da época, e assumiu a administração do local, promovendo a ocupação de suas terras por parentes e amigos. É considerada a cofundadora de Santana do Parnaíba, em 1580, um centro importante na expansão regional. Posteriormente enviuvou e casou-se novamente com Belchior da Costa, com quem teve mais filhos.

Cuidava da fazenda, controlando toda a produção e os índios escravizados.  Era a representante da propriedade nas questões de limites de terra, nas ações dos casamentos dos filhos e respectivos dotes; providenciava o treinamento de seus filhos para a ida ao sertão e os equipava; supervisionava a produção de roupas para todos com o tear manuseado por suas filhas e escravizadas. Quando os seus filhos retornavam das embrenhadas pelo sertão, ficava com metade ou mais dos indígenas cativos e os vendia ou os colocava para trabalhar e, por este motivo, era inimiga ferrenha dos jesuítas, mas admirava o Padre Anchieta. 

Uma das primeiras mulheres a ter liderança na Capitania de São Vicente, figura central e importante na formação da identidade e do território paulista, faleceu longeva. Em seu testamento, encontram-se terras, casas, móveis, objetos, quantias em réis, plantações e indígenas escravizados. Sua ação e influência lhe conferem o título de Matrona Paulista.

Já me indagaram sobre o motivo de ter escolhido uma bandeirante para este artigo, com um certo acento de crítica.

E eu pergunto: tem certeza que vivendo no contexto daquela época, seríamos diferentes? Justamente nós que agimos exatamente como querem que vivamos: radicalizados como torcidas de futebol, mesmo sabendo que o fanatismo é contraproducente, gera intolerância, agressividade e grande prejuízo mental e social… Será que não escravizaríamos ninguém? Afinal era moda… e o que fazemos atualmente senão seguir a moda?

Vilma Pavão Folino
Cadeira Nº 35 I Patrona Maria José de Toledo Piza

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