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Entrevista Especial: Léo Tintas, o recordista do programa Shark Tank Brasil

Leonardo Arruda nasceu em Itu e viveu sua infância e adolescência no bairro Alberto Gomes. Se tornou um comerciante de sucesso com a Léo Tintas. Esta história já é incrível, mas a pandemia de Covid-19 veio tornar este enredo ainda mais fantástico: ao se isolar em casa, com a esposa e o filho, ele começou a fazer vídeos para a Internet. Se tornou um sucesso com mais de 400 mil seguidores, criou produtos e ferramentas, abriu sua própria fábrica. Mas tinha mais: se inscreveu no programa Shark Tank Brasil e se tornou o empreendedor a receber o maior investimento do programa na versão nacional: R$ 10 milhões de João Appolinário, fundador da Polishop.

A seguir ele conta sobre os tubarões que enfrentou na vida até chegar a ter um avião, um barco e um Porsche. Se engana quem pensa que eles estão lá fora: o pior tubarão é o que nos morde por dentro.

Empreendedor

Sou o filho mais velho de quatro irmãos de um lar de mãe solo e cabeleireira . Comecei a trabalhar muito cedo para ajudá-la, vendendo coxinha, depois tive criação de codornas mas minha mãe pegou bronquite, comprei minhocas e coloquei no quintal mas elas foram embora para baixo da terra (ele conta no programa essas duas histórias, veja no final dessa matéria). Dos 14 anos aos 17 eu trabalhei na Toninho Calçados – a família Galdini me ajudou muito; depois fui para a Ford Caminhões; depois para Vivo Empresas vender planos corporativos: eu não sabia nem falar, tremia… Após dois anos, uma empresa que eu atendia, de máquinas de tintas, me chamou. Vendiam para lojas, trabalhei um ano para ele. Após isso, eu abri uma loja de tintas com o pai da Carol. Ele tem loja até hoje, está com quatro, mas a gente pensa diferente, e depois de algumas divergências eu resolvi abrir a minha loja. Em 2010, surgiu a Léo Tintas. Em 2020, eu estava tranquilo, tinha uma equipe muito boa na loja.  Daí veio a pandemia, fechamos a loja, ficamos em casa. Durante a pandemia, foi que a Carol falou para eu começar a fazer vídeos para a Internet. Ela tem uma loja de decoração e já fazia isso. Mas eu pensava: quem vai querer me ver pintar parede? Em um ano, abri minha própria fábrica e mais de mil franquias.  

Influencer

Eu comecei a tirar o produto e fazer demonstrações, até então das marcas que eu revendia: Coral, Suvinil. Então as pessoas encontravam esses produtos em qualquer esquina, não precisavam ir até a minha loja. Foi aí que eu comecei a ter a minha marca própria, a Decorcolor. Criei produto: o cimento queimado, espátulas. Entendi que as pessoas não querem pessoas perfeitas, querem sua verdade.

O segredo é amar o que você faz e não ligar para críticas. Eu já recebi muitas críticas: não é assim que segura o pincel, está descalço, não sabe nem falar. E se você receber mil elogios e uma crítica, como dói! No começo, todo mundo crítica, mas eu fui convertendo essas pessoas. Mas ainda tem, só que bem menos.  Eu fui achando meu público, contando meu cotidiano, e tudo muda muito rápido: o que viralizava antes, agora não viraliza mais.

Ninguém nasce perfeito, a gente vai se aperfeiçoando. Por isso eu digo: não espere estar pronto para fazer live, vá fazendo e corrigindo. Eu já atingi três milhões de visualizações, recebo mil mensagens por dia. Agora, me cobro para gerar um conteúdo melhor ainda.

Tubarões e negócios

Em janeiro, eu enviei o e-mail para a produção. Eu tentei decorar, e fiquei muito nervoso. Mas deu tudo muito certo. É um momento de muito aprendizado – ao lado do Appolinário. Eu aprendi a delegar, estratégias que eu nunca tinha ouvido falar.  A minha empresa tem dois líderes muito fortes: Coral e Suvinil. Então é difícil ser reconhecido pela sua região. Você é reconhecido quando você sai desse lugar. Depois que eu ganhei visibilidade na Internet, no Brasil todo, as pessoas da região começaram a me dar reconhecimento.

Estou aprendendo muito com o João, ele lê muito e sabe lidar com pessoas. Já estamos juntos há três meses, almoçamos duas vezes por semana, as vezes no domingo. Ele disse que não quer mudar nada, quer só estruturar. Sozinho, eu não conseguia mais administrar a fábrica, estamos vendendo para todos os Estados e mais vários países. E o Apollinário é apaixonado pelo empreender. Vamos transformar todos os profissionais de pintura e arquitetos em microempreendedores e nossos revendedores.  Todos os canais de venda vão se complementar.

Família

Estou com a Carol há 12 anos. Ela sempre foi uma menina muito leve. Eu era muito rancoroso, brigava e queria ficar sem falar e ela já queria voltar. Ela perdoa muito fácil, e isso com isso eu aprendi muito a ser uma pessoa melhor.  A base de tudo é a família. Agora, com meu filho, eu abraço ele e curo a minha criança interior, que não teve pai.

Cura e perdão

Quando você vem de baixo, você escuta muita coisa negativa quando tenta crescer, ninguém te apoia em nada. É você que tem que acreditar em você!

Eu tinha o sonho de morar em uma casa legal, e em janeiro desse ano eu comprei um Porsche. A felicidade não está em bem materiais: eu comprei, pois sso dá credibilidade, confiança no seu trabalho. Um símbolo de sucesso, não de ostentação. O ser humano não é movido a palavras, é a exemplo. O caminho se abriu para mim depois disso. Depois eu comprei um avião, de quatro lugares, pois eu viajo o Brasil todo, visitando as lojas.

A gente precisa desmitificar muita coisa. Eu tinha muitas crenças limitantes, eu fiz um curso de 15 dias nos Estados Unidos para limpar isso. O curso se chama Avatar, do Harry Palmer. Eu tinha 19 anos, fui com uma tia da Carol, Carla Agustini, ela via muito potencial em mim. Eu recriei ser um empresário do sucesso, tudo que vivo hoje. Eu tinha muito complexo de autoestima. Eu conheci o meu pai aos 18 anos, e minha vida mudou depois que eu consegui perdoá-lo. Demorou sete anos… Eu perdi muito tempo remoendo, me revoltando. Quando eu limpei isso, as portas se abriram, teve espaço para entrar muita coisa boa, não só a prosperidade material, mas a paz interior. Se eu não tivesse trabalhado isso, eu ia reproduzir isso com meu filho. Eu faço terapia há dez anos: cursos do Instituto Tadashi Kadomoto, que tem psicóloga, terapeuta, etc. isso me ajudou muito, pois quando a gente vem de baixo, a gente culpa muito os outros, praticar a gratidão me ajudou a limpar tudo isso. Eu entendi que eu tive exatamente o pai e mãe que eu precisava. Você não vê ninguém de sucesso que não pratica a caridade e a gratidão.

Vida Espiritual

Eu estou cuidando muito da minha vida espiritual, na minha casa, na empresa, muita oração. Porque dá medo toda essa exposição, né? E tudo que aconteceu na minha vida é um milagre. Eu cheguei, em fevereiro, para alugar o galpão para fazer a fábrica de tintas, o dono me disse: sou o maior importador de matéria prima de tintas do Brasil e posso te ajudar no que precisar. O eletricista me disse que tinha trabalhado em fábrica de tintas, então tudo isso eu vejo como milagres que aconteceram, foi tudo dando certo.  Mas dá muito medo.

Cruzeiro de Tubarões  

Eu gosto muito de pescar, vou muito no Maeda. Eu tenho um barco em Votorantim,  gosto muito de praticar wake. Lá tem a marina. Eu levo os pintores lá. O sucesso é ter bons relacionamentos: você ter pessoas boas ao seu lado e cuidar disso. Uma vez eu estava ajudando um pintor em uma casa, o dono passou por mim e não ofereceu uma água. Eu só andava todo sujo de tinta. No dia seguinte, eu cheguei de Porsche e a pessoa oferece água, suco. “Ah, você não era o pintor?’, sim, eu sou! Você tem que quebrar isso. Se eu sou grato a alguém, é aos pintores. Eu quero levar os meus 5 mil fraqueados da Decorcolors para um cruzeiro em um navio, e ensinar tudo aquilo que eu aprendi. Um navio de desenvolvimento pessoal. Eu falei com o Appolinário, ele já marcou, vai ser em abril.

Assista aqui o episódio de Shark Tank:


(Redação e edição: Rosana Bueno/Jornal de Itu Fotos: Reprodução Instagram)

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