
Animação, 2026 | Direção: Andrew Stanton | Classificação indicativa: 6 anos | Duração: 1h42 | Em cartaz nos cinemas
NOTA: ✪✪✪✪
Se tem uma coisa que aprendi ao longo dos anos escrevendo sobre cinema é a não duvidar das produções realizadas em parceria por Disney e Pixar. Mesmo aquelas em que a expectativa está lá embaixo costumam entregar bons resultados. E é exatamente o que acontece com “Toy Story 5”. Ainda que não seja o melhor filme da franquia, a animação, que estreou na semana passada, surpreende positivamente.
No quinto capítulo da saga, os brinquedos tradicionais são desafiados pela nova obsessão das crianças do século XXI: os dispositivos eletrônicos. Bonnie, agora com oito anos, ganha dos pais o tablet “Lilypad” – no Brasil, o personagem recebeu a voz de Maisa Silva, que se sai bem no trabalho – para que possa interagir com as amigas da mesma idade.
O aparelho, porém, acaba produzindo o efeito contrário, afastando a menina das demais crianças. Com isso, Buzz Lightyear, Woody, Jessie e os demais brinquedos precisam encontrar uma solução para o problema, ao mesmo tempo em que enfrentam o dilema da própria existência em uma sociedade capitalista que valoriza cada vez menos o ato de brincar em favor dos gadgets. Tudo isso embalado pela velha fórmula da Pixar, com uma trama repleta de aventura que agrada tanto às crianças quanto aos adultos.
Com a qualidade técnica que já se tornou marca registrada do estúdio, “Toy Story 5” não tem a mesma carga emocional do terceiro filme, mas chega perto. Mesmo sem se aprofundar no tema, trazer à tona a discussão sobre como as telas vêm substituindo parte das experiências da infância é um dos grandes méritos da produção.
Isso se torna ainda mais emblemático quando percebemos que muitas das crianças que assistiram aos dois primeiros filmes nos anos 1990 hoje são pais e mães que enfrentam o desafio de criar os filhos em um mundo hiperconectado, marcado pelos estímulos constantes dos dispositivos eletrônicos, da publicidade e do consumismo.
Claro que essa crítica social pode soar um tanto contraditória, já que ela vem na forma de uma animação da Disney – afinal, existe produto maior do capitalismo do que esse? -, mas discutir esses temas em um filme de grande alcance, lançado em plena temporada dos blockbusters, é algo louvável. Ainda mais quando o debate vem acompanhado de uma obra bem realizada. Vale a pena conferir.
O post Cinerama | Toy Story 5: mesma fórmula, novos temas apareceu primeiro em Jornal Periscópio | Jornal do Povo.