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Idosos na urna: meus pais, de 94 e 91 anos, e a histórica eleição de Lula

A cena dos meus pais, casados há 66 anos — ele tem 94, ela 91 — caminhando de mãos dadas para votar neste domingo é, para mim, a imagem inesquecível desta eleição. A mãe, aliás, logo depois do primeiro turno, previu o fenômeno que se tornaria evidente: “com esse susto, a esquerda vai acordar”. Ela perguntou se eu havia lido o texto escrito pelo pai.

Não tinha lido, fui ler: “Vivi sob o silêncio forçado da ditadura militar, vi pessoas sendo presas, torturadas e mortas. Por isso, não compactuo com quem defende esse período. Não compactuo com quem defende torturadores. Estou do lado dos direitos humanos, da justiça social e da educação.”

Meus pais, como milhões de eleitores, protagonizaram um dos momentos políticos mais importantes da história brasileira. Talvez os sociólogos do futuro tenham dificuldade de entender o que se passou nos 20 dias que separaram a votação do primeiro turno e a do segundo. O que mudou em tão pouco tempo?

Foi a estrela do retirante nordestino, nascido para contrariar — desde sempre — qualquer previsão? Foi a esquerda que saiu da Idade Média da comunicação e se apropriou das redes sociais, liderada por um ‘general’ civil?

Foi a juventude, tida como apática e indiferente, que tomou as ruas e se posicionou politicamente? Foi o povo trabalhador que sentiu o risco de retrocessos? Foi o medo do retorno do bolsonarismo à presidência o gás necessário para tirar de casa quem não votou no primeiro turno? Foi a repulsa a um candidato desprovido de propostas, compostura e caráter, suspeito de cometer vários crimes?

Foram os idosos, como os meus pais, que votaram no primeiro turno e se mobilizaram ainda mais no segundo? Como foi possível conquistar, em apenas 20 dias, 10 milhões de votos além dos obtidos no primeiro turno?”

Não sei, só sei que foi lindo e histórico.

Fonte

O post “Idosos na urna: meus pais, de 94 e 91 anos, e a histórica eleição de Lula” foi publicado em 31/10/2026 e pode ser visto originalmente diretamente na fonte Agência Pública

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