in

O Convite: por mais produções como essa

NOTA: ✪✪✪✪

O ano de 2026 tem sido bom para os chamados filmes médios, aqueles que não têm pretensão de se tornar nem um blockbuster nem um filme de arte obscuro que estreia apenas em poucas salas de cinema. Foi assim com o ótimo “O Drama” e se repete agora com “O Convite”, dirigido e protagonizado por Olivia Wilde, com Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton completando o elenco.

O filme acompanha Joe (Rogen) e Angela (Wilde), um casal que está junto há mais de uma década e cujo casamento entrou em uma espécie de “piloto automático”. A relação não está necessariamente destruída por grandes brigas ou traições. O problema é justamente mais banal – e talvez mais doloroso: eles perderam a curiosidade um pelo outro.

Angela passa boa parte do tempo em casa, enquanto Joe trabalha como professor de música. A rotina, a falta de intimidade e a sensação de que a vida conjugal chegou a um ponto morto começam a corroer o relacionamento. A situação, porém, muda quando Angela convida para jantar os vizinhos do andar de cima, Piña (Cruz) e Hawk (Norton). O casal é completamente diferente de Joe e Angela: extrovertido, sexualmente livre, espontâneo e aparentemente muito mais confortável em falar sobre sexo e desejo.

O jantar, que deveria ser apenas uma tentativa de fazer amizade, começa então a revelar segredos, ressentimentos, desejos e frustrações dos dois casais. Nesse momento, o filme se torna uma comédia de erros deliciosa, com momentos hilários e até constrangedores. Vale destacar que “O Convite” não é uma obra original, mas uma adaptação do filme espanhol “Sentimental”, dirigido por Cesc Gay. O longa espanhol, por sua vez, é baseado na peça teatral “Los vecinos de arriba”, também de Cesc Gay.

Por se apoiar praticamente em quatro personagens dentro de apenas uma locação (o apartamento de Joe e Angela, que tem função vital na trama), o filme tem um tom quase teatral, com atuações carregadas. Mas esse exagero é proposital e muito bem dosado, resultando em ótimos trabalhos. Destaco Seth Rogen, que se arrisca em um papel bem diferente do que está habituado, e Penélope Cruz, que rouba a atenção com uma personagem sexy e hipnotizante.

O longa também vem para consolidar Olivia Wilde como uma das mais promissoras e ousadas diretoras de sua geração – sua estreia na função ocorreu em 2019, com a ótima e subestimada comédia “Fora de Série”. No geral, “O Convite” é a prova de que basta uma boa história, seja original ou não, e um elenco competente para fazer um filme interessante e que fuja da mesmice. Por mais produções como essa.

O post O Convite: por mais produções como essa apareceu primeiro em Jornal Periscópio | Jornal do Povo.

Funerária Municipal – Falecimentos de 10/08 a 14/08/2026

Coincidências e dualidades