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Espaço Acadil | Lembranças da Copa

A Copa do Mundo está prestes a acabar. Quando você estiver lendo esta coluna, ao menos um dos finalistas da 23ª edição do Mundial de Seleções da FIFA já será conhecido. A Argentina de Messi defenderá o título? A Inglaterra de Kane voltará a conquistar a taça? A Espanha de Yamal surpreenderá? A França de Mbappé corresponderá ao favoritismo? Veremos… O fato é que, mesmo sem o Brasil no páreo, a competição mobiliza todos os amantes do futebol — e até mesmo quem não se interessa tanto pelo esporte bretão.

Mas o que explica esse fascínio pela Copa do Mundo? O que nos leva a parar tudo o que estamos fazendo para assistir a 22 atletas correndo atrás de uma bola? Não tenho respostas para essas perguntas. O que tenho são memórias de oito Mundiais, que certamente me acompanharão por toda a vida. Nasci no fim de 1990 e, por isso, minhas primeiras recordações são da Copa de 1994, nos Estados Unidos, vencida pelo Brasil. São apenas flashes, meros fragmentos da infância, que ainda hoje despertam um sentimento de nostalgia.

O mesmo posso dizer da Copa de 1998, na França, marcada pela dura derrota da Seleção Brasileira para os donos da casa. Lembro-me bem do clima de velório que tomou conta da sala de estar da casa da minha tia-avó, onde tios e primos acompanhavam a partida disputada em Saint-Denis. Quatro anos depois, a tristeza deu lugar à euforia. O pentacampeonato conquistado na Copa de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão, representou o auge de uma infância que tinha no futebol seu principal passatempo. Era um tempo mais simples, em que eu jogava bola todos os dias com os meninos da rua, improvisando golzinhos com chinelos e usando uma bola de capotão já bastante surrada.

Essa foi a última lembrança feliz de uma Copa do Mundo. A empolgação com o título conquistado por Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e companhia deu lugar a uma sequência de decepções nas edições seguintes, ainda mais dolorosas por coincidirem com a chegada da vida adulta. Vieram as responsabilidades da faculdade, do trabalho e da vida pessoal, que não existiam quando a única preocupação era ir à escola e evitar arrancar a “tampa” do dedão do pé jogando bola descalço no asfalto.

Se o auge foi em 2002, o ponto mais baixo veio em 2014. Eu já trabalhava na imprensa e guardo com carinho as lembranças daquele Mundial realizado no Brasil, que tive o privilégio de acompanhar de perto. A dolorosa derrota por 7 a 1 para a Alemanha, porém, transformou essa experiência em uma memória agridoce. Sejam boas ou ruins, alegres ou tristes, essas recordações continuarão a me acompanhar. E, certamente, novas lembranças surgirão de quatro em quatro anos, porque a Copa do Mundo é, de fato, um acontecimento único.

André Roedel
Cadeira Nº 13 | Patrono: Luiz Colaneri

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