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Espaço Acadil | O Banco Mercantil

O convite para colaborar nesta coluna trouxe a oportunidade de revisitar meus escritos técnicos, mas também me permitiu acessar memórias que talvez se conectem, de alguma forma, às suas, caro leitor.

Além das recordações familiares, acesso com nitidez sensações e vivências que talvez não sejam convencionais para uma criança. A principal, creio eu, seja a fascinação que sentia ao ir ao Banco Mercantil. A agência a que me refiro — dos anos 1990 — localizava-se na Rua Floriano Peixoto, número 839.

Apenas minha avó materna era correntista nessa instituição. Íamos com maior frequência à Caixa Econômica Federal e ao Bradesco, pois eram nesses bancos que meus pais possuíam contas e onde havia a demanda por saques, depósitos de cheques e pagamentos em geral.

Lembro-me de que, quando ouvia alguma conversa de adultos mencionando a necessidade de comparecer presencialmente ao banco, eu logo anunciava que iria também. Hoje, não consigo compreender o porquê de tal animação, especialmente pelas questões éticas e ideológicas que nutro em relação ao sistema financeiro. A razão, talvez, resida na cor e na textura do interior da agência. Não me recordo de muitos detalhes, mas a principal característica do amplo salão era o acabamento em madeira. Eu me sentia confortável.

Sim, a sensação era de conforto, apesar do grande fluxo de pessoas e da movimentação. Na Arquitetura, a Psicologia das Cores aponta para os efeitos que os ambientes causam, influenciando as emoções humanas. A Publicidade faz uso intencional da cor vermelha para restaurantes e lanchonetes; o verde é aplicado a empresas do ramo da saúde; e o azul, relacionado à limpeza.

Tanto a madeira quanto a cor marrom proporcionam conforto e segurança. Isso contrasta com a tendência atual do uso exclusivo de tons neutros, como o cinza, em ambientes domésticos, o que pode gerar apatia e desmotivação. É interessante buscarmos na memória as emoções que determinados locais nos suscitam. Não por acaso, nossos melhores refúgios eram revestidos de tacos, cerâmica vermelha ou de pisos quebrados multicoloridos. Meu palpite é de que estamos precisando de mais cores.

Lígia Souza Guido
Cadeira Nº 24 | Patrono: Antonio de Almeida Prado 

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