
A ONG Não Posso Me Calar, de Itu, foi uma das organizações reconhecidas como destaque no programa de aceleração promovido pela Glocal, iniciativa voltada ao fortalecimento de organizações da sociedade civil por meio de mentorias, capacitações e conexões com investidores e parceiros estratégicos.
A instituição ituana foi selecionada entre mais de 200 organizações inscritas no edital realizado em São Paulo. Após duas etapas eliminatórias, apenas 15 ONGs foram escolhidas para participar do programa, que reuniu representantes de diferentes cidades e estados do país.
Durante quatro meses, os participantes passaram por uma intensa jornada de formação, com duas aulas on-line por semana, mentorias especializadas, encontros presenciais mensais em São Paulo e atividades voltadas ao desenvolvimento institucional, sustentabilidade financeira e fortalecimento da atuação social.
O encerramento da aceleração ocorreu nesta semana, durante um evento de apresentação dos projetos para convidados e investidores. Entre as 15 organizações participantes, apenas duas receberam reconhecimento especial, e a Não Posso Me Calar foi uma das homenageadas.
Segundo a presidente da ONG, Christiane Loschiavo, a participação no programa representa um marco na trajetória da instituição. “A Glocal trouxe uma nova perspectiva para nossa organização. Aprendemos estratégias importantes para fortalecer nossa atuação, captar recursos e tornar nosso trabalho mais sustentável. Foi uma verdadeira injeção de ânimo para continuarmos cumprindo nossa missão de acolher mulheres em situação de violência. Agora queremos colocar em prática tudo o que aprendemos para ampliar nosso impacto e ajudar ainda mais pessoas”, afirma.
Origem
O projeto Não Posso Me Calar nasceu em 2013. Quatro anos depois, a iniciativa foi oficialmente legalizada como organização não governamental. O primeiro acolhimento presencial ocorreu ainda em 2017, quando uma mulher vítima de violência doméstica chegou a Itu, vinda da Bahia, em busca de proteção. Desde então, a instituição passou a oferecer acolhimento humanizado, orientação jurídica, encaminhamentos e acompanhamento às mulheres em situação de violência e vulnerabilidade social.
Além dos atendimentos, a organização promove campanhas educativas, palestras, projetos sociais e ações de conscientização, trabalhando em articulação com a rede de proteção do município.
Apesar da relevância do trabalho desenvolvido, a manutenção da ONG ainda depende exclusivamente de trabalho voluntário, doações e da renda obtida por meio de um bazar beneficente.
Os recursos arrecadados são destinados ao custeio de despesas como aluguel da sede, alimentação, medicamentos, itens de higiene, fraldas, transporte para delegacias, fóruns, hospitais e demais necessidades das mulheres acolhidas.
Para Christiane, um dos maiores aprendizados proporcionados pela Glocal foi justamente compreender formas de estruturar melhor a organização para garantir sua sustentabilidade.
“Quem trabalha diretamente no atendimento acaba absorvido pelas urgências do dia a dia. Muitas vezes não sobra tempo para pensar na gestão ou na captação de recursos. A aceleração mostrou que é possível organizar melhor a instituição e buscar caminhos para garantir sua continuidade. Espero que outras organizações também participem, porque é uma oportunidade transformadora”, acrescenta Chris.
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