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Pesquisadora ituana coordena estudos de vacina contra a dengue em Botucatu

Karen Tasca sendo vacinada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (Fotos: Divulgação)

No último domingo (18), foi iniciada pelo Ministério da Saúde, em Botucatu (SP), a vacinação contra a dengue com a primeira vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. 

A cidade paulista é a terceira a integrar a estratégia piloto do Ministério da Saúde, ao lado de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), que busca avaliar o impacto da vacinação na transmissão da dengue e produzir evidências técnicas para a expansão da estratégia em todo o país.  

Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios. O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades e faz parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan. O desenvolvimento da vacina conta com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A escolha de Botucatu para receber a vacinação acelerada contra a dengue reforça o histórico do município como referência em estudos de efetividade vacinal. A cidade já havia participado de iniciativas semelhantes durante a pandemia de Covid-19, contribuindo para a avaliação de estratégias de vacinação em larga escala no Brasil.

Entre as primeiras pessoas imunizadas com a vacina no Brasil está a pesquisadora Karen Tasca, que há mais de 15 anos mora em Botucatu, onde é pesquisadora em Imunologia e Doenças Infecciosas pela Unesp (Faculdade de Medicina de Botucatu – FMB). Ela é coordenadora do estudo que avaliará a efetividade da vacina de dose única “Butantan-DV”.

“É uma honra para mim coordenar mais um estudo de grande impacto para a saúde pública brasileira. Estar à frente de duas históricas ações de vacinação em massa, me traz um um senso de responsabilidade imenso e a certeza de que a ciência feita com rigor é a nossa ferramenta mais poderosa para transformar a realidade da população”, comenta ao JP.

A pesquisadora fala em duas históricas ações, pois o primeiro grande estudo que coordenou foi o contra a Covid-19, também em Botucatu, única cidade brasileira a vacinar a população em massa utilizando o imunizante da Astrazeneca/Fiocruz.

Pesquisadora ituana ao lado de Esper Kallas (diretor do Butantan) e Carlos Fortaleza (diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu)

“Tivemos uma experiência incrível, e resultados excelentes: foram mais de 70 mil pessoas vacinadas em um único dia, e não tivemos nenhum óbito por Covid-19 em pessoas que haviam recebido as duas doses da vacina. Este estudo permitiu mostrar que temos excelência em pesquisa aqui na Unesp, e a cidade de Botucatu ficou conhecida nacional e internacionalmente”, explica Karen.

Para ela, estar envolvida também no estudo da vacinação em massa contra a dengue no mesmo município é mais do que um desafio profissional: “é o privilégio de aplicar toda a maturidade que adquirimos na pandemia, para combater agora, outra crise urgente”. “Para mim, como ituana que trilhou seu caminho na ciência com muito esforço, é gratificante saber que os dados gerados aqui em Botucatu servirão de base para o SUS proteger milhões de brasileiros”, orgulha-se a pesquisadora.

Dia importante

Karen explica que o domingo foi um dia muito importante para ela, por presenciar uma vacina 100% nacional e de dose única chegando nos braços da população. Em 10 horas de campanha, foram mais de 25 pessoas vacinadas. A ituana destaca que agora é preciso conscientizar outra parte da população. 

Para Karen, que foi imunizada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é fundamental que as pessoas não tenham receio. A pesquisadora reforça que a vacina do Butantan é fruto de mais de 15 anos de estudos rigorosos, acrescentando que a plataforma vacinal é amplamente conhecida e segura. Além disso, já foram ultrapassadas as fases clínicas que comprovam a eficácia e a segurança: “Agora, estamos apenas confirmando como ela protege, quando uma cidade inteira é vacinada”, destaca a coordenadora.

 “Vamos conseguir proteger também, as outras faixas etárias não contempladas na vacinação? Haverá de fato, diminuição da circulação do vírus da dengue no município? São algumas das questões que queremos responder. Essas informações serão cruciais para o Programa Nacional de Imunizações (PNI)”, explana Karen.

Se a estratégia se mostrar efetiva em Botucatu, o PNI poderá estudar a ampliação desse modelo para todo o Brasil, criando uma estratégia de controle da dengue sustentável e vitoriosa para o país.

Vale ressaltar que, embora a vacina seja a maior esperança, de acordo com a coordenadora, o imunizante não substitui os cuidados preventivos. Por isso, deve-se manter a vigilância constante no combate aos criadouros do mosquito, unindo a ciência à conscientização diária de cada cidadão.

Ao longo de um ano, as análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além do monitoramento de possíveis eventos adversos raros após a imunização.    

Vacinação

Para o público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina japonesa, com esquema de duas doses. Inicialmente disponibilizada para municípios 2,1 mil prioritários, a vacina agora está disponível em todo o país, nos mais de 5 mil municípios. A vacina produzida pelo Butantan será destinada às demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme o limite máximo estabelecido em bula e regulamentado pela Anvisa. 

Com a chegada de mais doses da Butantan DV, a imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está prevista para o início de fevereiro. Cerca de 1,1 milhão de doses serão destinadas a profissionais que atuam na linha de frente do SUS, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários, assim que esse volume estiver disponível.  

A estratégia nacional, com vacinação do público geral, será implementada conforme a disponibilidade de doses. Por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes. 

Quem poderá se vacinar?

Nos municípios-piloto, a vacina Butantan-DV é aplicada em pessoas de 15 a 59 anos. A imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros pontos de vacinação instalados pela cidade e em locais estratégicos.  

A Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única do mundo contra a dengue. Além de facilitar a adesão ao esquema vacinal, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização por dengue. 

Em 2024, o Brasil se tornou o primeiro país a ofertar vacina contra a dengue no sistema público de saúde. O SUS mantém a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com o imunizante de duas doses atualmente disponível. Para esse público, a vacinação é feita exclusivamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS). 

Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território nacional.  

Ao longo do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença, frente a 6,5 milhões em 2024. O número de óbitos também apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3 mil mortes. (Com informações do Ministério da Saúde)

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