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Cinerama | A Garota Canhota: obra delicada e poderosa

NOTA: ✪✪✪✪

É sempre bom descobrir filmes “escondidos” nas plataformas de streaming. Aquelas obras que não são tão comentadas e vistas pelo grande público, mas que são verdadeiras pepitas em meio a tantas produções descartáveis lançadas. “A Garota Canhota”, disponível na Netflix, é dessas produções não tão populares, mas repleta de qualidade e que merece ganhar uma chance junto ao espectador médio.

O filme acompanha uma mãe solteira que se muda novamente para Taipei com suas duas filhas em busca de uma nova vida, focada em abrir uma barraca na feira noturna. Cada uma passa por um processo de adaptação só seu, enfrentando os desafios de se acostumar com o novo ambiente e a nova rotina frenética da cidade.

Enquanto tentam pagar as contas e manter uma união familiar, antigos segredos e tradições entram no caminho e ameaçam o recomeço das três. Quando o conservador e tradicional avô impede que a mais nova das meninas, que é canhota, use a mão conhecida como “do diabo”, conflitos geracionais se iniciam.

Primeira direção solo de Shih-Ching Tsou, o filme foi inteiramente gravado com um iPhone, seguindo a tradição iniciada pelo vencedor do Oscar Sean Baker, co-roteirista em “Tangerine” (2015). O resultado é um retrato pulsante e sensível do cotidiano urbano de Taipei, com ênfase nas luzes de néon e na atmosfera vibrante de seus mercados noturnos.

Esse foco na capital taiwanesa e sua cultura foi o que mais me fascinou, até mais do que a história. Poder “passear” pelas ruas da cidade, tão distante geograficamente, mas tão parecida com as ruas do nosso país, foi uma experiência incrível. Além disso, a atuação formidável do elenco, em especial de Shih-Yuan Ma (I-Ann) e da pequena Nina Ye (I-Jing), me cativou.

A garota é alvo de preconceito por usar a mão esquerda, hábito que ainda é associado a azar ou desrespeito em alguns setores da sociedade taiwanesa. O filme se apropria dessa crença para refletir sobre identidade, liberdade e a resistência às normas sociais, trazendo uma discussão importante sobre emancipação feminina em meio a uma cultura ainda tão machista e conservadora.

No conjunto, “A Garota Canhota” se revela uma obra delicada e poderosa, que encontra força justamente em sua simplicidade. Ao unir um olhar íntimo sobre laços familiares, conflitos culturais e identidade feminina, o filme transforma uma história aparentemente pequena em um retrato universal sobre liberdade e pertencimento – daqueles que permanecem na memória muito depois dos créditos finais.

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