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Moradora de Itu, venezuelana relata como está a vida de familiares em seu país natal

Aury Evaristo Molina mora em Itu desde dezembro de 2020 (Foto: Arquivo pessoal)

No último sábado (03), a Venezuela e o mundo foram pegos de surpresa com o fim do regime do presidente da Venezuela Nicolás Maduro. O ditador estava no poder desde 2013 e foi retirado do país em uma ação militar dos Estados Unidos, liderada pelo presidente republicano Donald Trump.

Maduro, assim como a esposa, Cilia Flores, foram levados aos Estados Unidos e permanecem presos aguardando julgamento. Ambos enfrentam acusações relacionadas ao narcotráfico e à corrupção. Com a queda de Nicolás Maduro, sua vice, Delcy Rodríguez, é quem assumiu o governo provisório na Venezuela. 

Em meio a um cenário de incertezas no país, o Periscópio conversou com Aury Evaristo Molina, de 24 anos, que é venezuelana e mora em Itu desde dezembro de 2020. Aury, que há cinco anos veio para Itu com sua mãe, irmão e cunhada, deixou na Venezuela avó, tios, primos e amigos. Ela fala à reportagem como está a rotina deles em território venezuelano.

“A situação atual da Venezuela é bastante triste, complicada. Mesmo o povo estando super feliz pelo que aconteceu com o Maduro no sábado, eles estão com muito medo. É aquilo: você ‘cortou a cabeça da serpente’, mas o corpo ainda ficou, então eles [o governo provisório] proibiram sair pra rua pra comemorar e quem sair, eles vão prender”, relata.

“A primeira coisa que meus familiares e amigos disseram era para que comemorasse por eles o que aconteceu, porque realmente foi um grande passo para nossa liberdade. Tem também relatos de pessoas que estão na rua defendendo o Maduro, mas a maioria foi paga”, diz Aury, que trabalha em um supermercado em Itu, no setor de vendas online.

De acordo com relatos fornecidos por familiares e amigos, Aury diz que pessoas nas ruas estão tendo celulares revistados “para ver se havia alguma conversa, se estavam comemorando e houve registro de pessoas que foram presas. Teve uma situação no parlamento também onde tiveram vários jornalistas estrangeiros que foram presos e até agora não há notícias sobre eles. O pessoal está muito assustado, com medo de sair na rua”, revela.

A venezuelana explica ainda que pessoas estão saindo desesperadas para comprar alimentos, em meio a um cenário de intercezas e os supermercados estão limitando a quantidade de produtos que a pessoa pode comprar para tentar abastecer toda a população.

“Hoje, todo mundo está em casa, ninguém está saindo pra rua com medo de ser preso ou morto. Quem está fora do país está comemorando muito o grande passo que foi prender o Maduro e a gente sabe que a nossa família está muito feliz, a maioria dos venezuelanos está super feliz, mas eles não conseguem sair na rua pra comemorar, pois quem ficou no poder são os políticos ligados ao Maduro. Hoje, tem silêncio total nas ruas da Venezuela. Eles não sabem o que vai acontecer”, reforça a venezuela moradora de Itu.

“O sentimento do venezuelano que está lá é que realmente possa acabar tudo. Que cheguem em um acordo de transição com os Estados Unidos e saíam do poder ou que os Estados Unidos entrem de novo e levem quem tiver que levar. Está se ouvindo muito que os Estados Unidos estão roubando petróleo. Ninguém se importou com o petróleo que está sendo roubado há 27 anos por China, Cuba, Rússia, então hoje a Venezuela está em uma situação crítica e quando se precisou de ajuda ninguém olhou para a Venezuela”, dispara a venezuelana.

Aury desabafa dizendo que não enxergam o sofrimento vivido há anos na Venezuela. “Ainda não se tem uma liberdade total, mas foi dado um grande passo para isso e tenho certeza que é o sentimento da maioria da população, a gente tem família, tem amizades lá. A maioria que foi forçada a sair do país está comemorando o que aconteceu. Temos esperança de que pode melhorar e que logo a gente vai ser livre mesmo”, conclui.

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