
O Ministério Público de Contas (MPC) do Estado de São Paulo entrou com representação junto ao Tribunal de Contas para apuração de possíveis irregularidades nas contratações emergenciais realizadas pela Prefeitura de Sorocaba, por conta da pandemia do novo coronavírus. A representação, com data desta segunda-feira (15), vai investigar a aquisição de respiradores faciais, máscaras cirúrgicas, aventais e medicamentos, além da assinatura de termo aditivo relativo à convênio para utilização de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba e locação de ventiladores pulmonares de transporte. Questionada a respeito, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria Jurídica (Saj), informa que não foi notificada.
Segundo o MPC, constatou-se nas contratações e repasses patamares superiores aos valores praticados no mercado, inclusive quando foi possível compará-las a termos firmados por outros órgãos públicos, além da entrega de produtos diferentes dos contratados, em alguns casos, e o não cumprimento de preceitos legais.
Ainda de acordo com a representação, o órgão determina que as informações a respeito sejam apuradas pela Fiscalização, notadamente quanto às falhas do procedimento licitatório, prática de atos antieconômicos, danos ao erário e responsabilização dos responsáveis nos termos da legislação. “O município deve ser notificado para que apresente os documentos e justificativas que julgar pertinentes e pela oitiva das áreas técnicas da Prefeitura de Sorocaba, especialmente nos aspectos econômicos e contábeis, e, ao fim, abertura de vista do processo ao Ministério Público de Contas”, determinou a procuradora do órgão, Renata Constante Cestari.
Valores maiores
Conforme o órgão estadual, por exemplo, a Prefeitura de Sorocaba adquiriu, no período de 20 de março a 29 de abril de 2020, 185.040 unidades de respirador facial para partículas PFF2 com três fornecedores diferentes, com um gasto total de R$ 2.595.506,00. “Porém, enquanto uma empresa forneceu o respirador por R$ 4,45 a unidade, um outro fornecedor vendeu o mesmo produto por R$ 15,00 a unidade, 337% a mais que o anterior”, afirma no documento. Para o órgão, se a Prefeitura de Sorocaba contratasse somente com a empresa de menor valor, teria havido uma economia de mais de R$ 1.772.000,00 aos cofres públicos.
Em relação às contratações e repasses, o MPC afirma ainda que em razão da pandemia causada pela covid-19, o Poder Executivo de Sorocaba decretou estado de emergência e adotou medidas iniciais para conter o avanço da doença na cidade. “Constata-se, dessa forma, que os materiais adquiridos não cumprem as exigências sanitárias, colocando em risco a vida dos envolvidos, visto que a maior parte dos respiradores adquiridos foi entregue aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus”, diz.

Leitos na Santa Casa
Já sobre o termo aditivo e de ratificação ao convênio celebrado entre a Prefeitura de Sorocaba e a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia da cidade, firmado em 23 de abril último, visando à prestação de serviços assistenciais de saúde no âmbito ambulatorial e hospitalar aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), o MP de Contas questiona o valor da contratação. A Santa Casa de Sorocaba também foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até o momento.
“O referido termo objetiva a inclusão de mais 20 leitos de UTI adulto, por um período de três meses, para os pacientes da Covid-19. Porém, em pesquisa no sistema atestou-se a locação de leitos de UTI adulto, para tratamento de enfermos da Covid-19, pela Prefeitura Municipal de Pindamonhangaba, pelo valor unitário/mês de R$19.095,30, pelo mesmo período, inclusive, também junto à Santa Casa. Complementarmente, em pesquisa junto à Prefeitura Municipal de São Paulo, foram encontrados contratos, ambos com valores unitários/mês de R$ 64.050,00 para os leitos de UTI adulto, nas mesmas condições existentes em Sorocaba e Pindamonhangaba, ou seja, incluindo mão de obra e insumos. “Em ambas as situações, percebe-se o sobrepreço existente em Sorocaba”, diz.
Estado de emergência
O MP disse ainda que, “ainda que se considere o atual contexto de emergência sanitária que assola todo o País, do qual indiscutivelmente derivam reflexos indesejáveis seja na demanda e disponibilidade de produtos tão essenciais quanto os contratados, seja nos preços praticados pelo mercado”, é certo que cabe à administração municipal se cercar de todos os cuidados possíveis para fazer bom uso dos recursos públicos. “Inclusive com a utilização de amplas pesquisas de preço e negociação de valores diretamente com os fornecedores visando economia de massa, sem prejuízos, por certo, da devida prestação de contas”, aponta na representação.
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O post “MPC investiga contratações emergenciais da Prefeitura de Sorocaba para pandemia” foi publicado em June 16, 2020 e pode ser visto originalmente diretamente na fonte Jornal Cruzeiro do Sul